Desastre Mariana / SAMARCO

Era uma vez, uma Bacia Hidrográfica que proporcionava vida para pessoas, animais e plantas ao longo do Vale do Rio Doce

A tragédia humana e o desastre ambiental “anunciado” causado pela Samarco/Vale/BHP Billiton em Mariana, Minas Gerais, neste 05 de novembro de 2015, conforme depoimentos de ambientalistas é irreversível para a geração atual. Somente as próximas gerações poderão ver e desfrutar dessa restauração que pode demorar décadas para recompor o leito, as matas ciliares e a ictiofauna (relativa aos peixes).

Ainda são desconhecidas todas as possibilidades negativas do impacto ecológico liberado na forma de, aproximadamente, 62 milhões de litros de lama com resíduos de mineração das barragens de Fundão e Santarém (parte).


Tragédia anunciada por que as barragens de Santarém (afetada) e Germano, assim como outras centenas de lagos para contenção de detritos de mineradoras em Minas Gerais, podem se romper a qualquer momento, até por causas previsíveis, como um abalo sísmico ocasionado por dinamites nas minas próximas ou por uma “tromba de água” localizada.

Vávulas - tecnologia da década de 50

Mas, como ficou clarividente no episódio Mariana, não existe fiscalização adequada do Estado; faltam medidas preventivas e preparação das empresas para cuidados pós-desastre, até para avisar as comunidades na rota de colisão da lama com detritos da mineração. Parece que há conchavo público/privado para proteger as atividades minerárias.

Portanto, além do impacto ambiental inerente à atividade em si, de desconfiguração das montanhas e das serras pela extração de grandes porções originais de terra, também existem influências de maior proporção e que, pela ineficiência de recursos para fiscalização adequada geram prejuízos incalculáveis para a Natureza e para o cidadão comum.

Pior: além das perdas humanas irreparáveis, espécies endêmicas da fauna e da flora presentes ao longo do leito dos mananciais atingidos, principalmente do impressionante Rio Doce, podem jamais ter ocorrências novamente em determinados micro ecossistemas. Ou seja: perdas definitivas de água doce que chegaram ao oceano causando mais malefícios ao meio ambiente, agora no mar!

A partir de cada mês de novembro começa a PIRACEMA, palavra de origem indígena (pira=peixe e cema=subida) ou período de defeso; época em que há a movimentação dos peixes em cardumes rio acima para o acasalamento e a reprodução.

Se um pescador é flagrado em atividades durante o período de defeso ou piracema, suas redes, ferramentas e até utensílios podem ser apreendidos e o cidadão é preso por crime inafiançável.

Fica a pergunta: e se uma empresa mineradora fizer desaparecer uma bacia hidrográfica durante a piracema, qual será a pena aplicada por esse crime que pode ser considerado um dos maiores da história de Minas Gerais e do Brasil?

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Crimes ambientais são praticados todos os dias entre as montanhas mineiras, sejam pelas mineradoras ou pelas ocupações irregulares de terras e de lotes em áreas consideradas de proteção ambiental; seja pelas autorizações de proliferação das áreas imobiliárias e de indústrias em região considerada de amortecimento e recarga, como é o caso da Serra da Moeda, na divisa de Nova Lima/Itabirito/MG.

Conforme moradores locais, a abertura de poços artesianos autorizados dentro da área industrial no Balneário Água Limpa já secou várias nascentes e diminuiu o volume de outros brotos de água na região da Serra da Moeda.

A tragédia ambiental que vivemos no Estado de Minas Gerais é a mesma vivida pelo nosso país. Diversas ações patrocinadas por interesses privados e chanceladas pelo Estado Brasileiro acontecem todos os dias e em todos os lugares.

Até quando o cidadão vai permitir a devastação da Natureza para corroborar o "entreguismo" e financiar grandes empresas e as corporações internacionais?

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O meio ambiente não é apenas parte de nossas vidas; é o local aonde vivemos! Por isso, toda e qualquer ação contra a fauna e a flora, com impactos na ictiofauna, somados aos danos ao solo, às matas ciliares, aos rios, às comunidades ribeirinhas e às nossas florestas constituem-se em atentado contra o planeta Terra.

Os ecossistemas, em um processo criminoso e silencioso, estão sendo alterados de tal forma negativa que a herança deixada para as próximas gerações é o resultado da ganância e da ignorância dos signatários dos governos passados e atuais.

O que podemos fazer diante de governos e das casas legislativas que administram cidades e o país, colocando em primeiro lugar o interesse do capital burro e privado?

Existem diversas organizações, ambientalistas e pessoas que conseguem perceber que o meio ambiente é a casa comum de todas as espécies que habitam o nosso planeta e, por isso, deve e precisa ser respeitado como uma forma para se garantir a qualidade de vida futura no nosso habitat.

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O meio ambiente não é apenas parte de nossas vidas; é o local aonde vivemos! Por isso, toda e qualquer ação contra a fauna e a flora, com impactos na ictiofauna, somados aos danos ao solo, às matas ciliares, aos rios, às comunidades ribeirinhas e às nossas florestas constituem-se em atentado contra o planeta Terra.

Os ecossistemas, em um processo criminoso e silencioso, estão sendo alterados de tal forma negativa que a herança deixada para as próximas gerações é o resultado da ganância e da ignorância dos signatários dos governos passados e atuais.

O que podemos fazer diante de governos e das casas legislativas que administram cidades e o país, colocando em primeiro lugar o interesse do capital burro e privado?

Existem diversas organizações, ambientalistas e pessoas que conseguem perceber que o meio ambiente é a casa comum de todas as espécies que habitam o nosso planeta e, por isso, deve e precisa ser respeitado como uma forma para se garantir a qualidade de vida futura no nosso habitat.

Mas é preciso ir além do conhecimento e da experiência; é preciso dizer um BASTA a esta prática predatória e infeliz de alguns poucos que ganham bilhões com as tragédias ambientais.

Alguns acreditam que o voto pode ser a arma da mudança, principalmente quando grande parte das cadeiras nas casas legislativas é ocupada por cidadãos representantes da economia privada em nosso país. Entendemos que o problema é maior e estrutural.

É preciso que aconteça a mudança de paradigmas. Uma sociedade que se afirma no consumo e na imagem e vê a educação apenas como acesso a esse mercado de consumo, nada poderá fazer para evitar uma tragédia anunciada já há algum tempo por estudiosos e por pessoas preocupadas com o futuro daqueles que sequer nasceram.

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Algumas medidas simples podem ser tomadas contra o avanço da morte anunciada dos nossos rios, matas e florestas; dentre essas, vamos barrar o Projeto de Lei – PL 5807/2013 (apensado ao PL 37/2011) que trata do Código de Mineração em debate na Câmara Federal.

Com esse projeto, a exploração do minério em nosso país será uma atividade que terá prioridade em relação ao meio ambiente, ao interesse social das comunidades ribeirinhas e aos indígenas. Em outras palavras, onde existir minério (que está embaixo da terra) a atividade da mineradora estará autorizada a extraí-lo, não importa se o terreno for uma Unidade de Conservação, se abrigar populações, se houver nascentes que abastecem rios, se houver fauna e flora protagonistas daquela região. Ou seja, a atividade da mineração, com esse novo código passa a ter prioridade sobre o nosso meio ambiente.

O relator desse projeto é o deputado do PMDB de Minas Gerais, Sr. Leonardo Quintão, cujo irmão é sócio de empresa mineradora e que já se fartou com financiamentos para a sua campanha eleitoral advindos desse setor.

Será preciso UNIÃO e FORÇA da sociedade para barrar esse projeto que está na contramão da POLÍTICA DE SUSTENTABILIDADE alardeada pelos quatro cantos do país como vetor de programas municipais, estaduais e nacionais.

Também é importante dizer que os prefeitos e governos que dependem exclusivamente dos recursos derivados da instalação de mineradoras em seus municípios, como é o caso da cidade de Mariana, não podem tratar esse assunto como se fosse um fim em si mesmo.

É preciso inteligência, criatividade, ousadia, competência e recursos para criar novas formas de sustentar e diversificar a economia da cidade. Investir na educação, no turismo, nas cadeias criativas e produtivas da cultura do município.

Enfim, é preciso sair da situação de entreguismo da nossa economia para essas grandes empresas que se mantém na região de Mariana com o discurso do emprego gerado, mas causam a destruição dos principais elementos para a nossa existência: a ÁGUA e a TERRA.

23/11/2015 - Imagens: UOL/G1/noticiasdemineracao.com

Biólogo explica o desatre ambiental de Mariana em relação ao planeta

Confira o vídeo. no qual o biólogo da Estação Biologia Marinha Ruschi, André Ruschi, explica como o rompimento de barragens na cidade de Mariana, em Minas Gerais, pode afetar o mundo.