Vantagens e Desvantagens de Energias Alternativas

Desmistificando as vantagens e desvantagens das energias limpas e renováveis solar e eólica

O sol e o vento são considerados bens naturais inesgotáveis

Conforme é amplamente divulgado, a produção de energias limpas e renováveis a partir do sol e do vento oferecem vantagens e desvantagens: os custos e as questões ambientais pesam nos dois lados da balança.

O novo sempre causa espanto e há correntes contrárias à geração de energias alternativas, principalmente pelo expressivo filão financeiro que representa as hidrelétricas, endossadas pelo Governo pela sua expressiva fatia do bolo.

A utilização em larga escala do calor do sol e da força dos ventos para aquecer água e produzir eletricidade está renovando as matrizes energéticas do planeta. Essas duas formas de forças motrizes são consideradas ambientalmente limpas para gerar calor e eletricidade, em função do fato de nenhuma delas emitir poluentes atmosféricos.

Vávulas - tecnologia da década de 50
Uma das formas de energia alternativa mais comum é a obtida com painéis fotovoltaicos para transformar a energia do sol em eletricidade ou utilizar seu calor para aquecer a água e a transformar em vapor e mover turbinas, semelhante às termoelétricas.

No uso doméstico, o sistema de aquecimento de água a vácuo é mais eficiente que com o módulo de placas. A água pode ser armazenada e usada em banhos, lavanderias e até ser utilizada para assepsias de vasilhames e locais, pois atinge média acima de 90 graus.

A outra forma é a partir dos ventos. Embora presente em quase todo o Brasil, principalmente no Nordeste, o vento é sazonal em algumas regiões, mas o desenvolvimento de aerogeradores menores e domésticos, que começam a funcionar a partir de brisas, pode impulsionar as miniestações hibridas para geração de eletricidade e aquecimento de água nas casas.

Condomínios e prédios também podem planejar miniusinas híbridas, solar e eólica, para gerar eletricidade e aquecer água. A luz elétrica proveniente do sol e do vento e o aquecimento de água para o abastecimento dos imóveis vão beneficiar o bolso dos moradores e o custo do meio ambiente.

Vamos considerar as principais vantagens e desvantagens da geração de energias solar e eólica, no sentido de desmistificar as lendas e tratar sobre as contribuições e as limitações impostas pelo mercado e pelo Governo. Antes, porém, vamos falar a respeito de eficiência energética.

A eficiência energética, independentemente do sistema de eletricidade usado, representa a redução do consumo que começa com as formas e opções das construções domésticas e dos edifícios: pé direito alto; melhor aproveitamento da luz natural; aquecimento de água solar; captação de água da chuva para limpeza de pátios, calçadas e descarga em sanitários, além de utilizar lâmpadas e equipamentos eletroeletrônicos mais eficazes e de menor consumo. Esses são alguns cuidados básicos para mais eficiência e menos desperdício.
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Acima, usina solar térmica inaugurada pelo Google, no deserto de Mojave, USA. 
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As grandes usinas solares podem representar malefício para pássaros e aviões. Há reclamações de pilotos pela forte intensidade da luz; essa luz atrai insetos que, por sua vez, também atraem aves e pássaros 

Pássaros são encontrados mortos nos arredores da Usina Solar de Ivanpah, na Califórnia/USA.

Cerca de 8,5 milhões de pessoas na Alemanha já estão usando a energia solar para gerar eletricidade ou calor 

A Alemanha é líder em soluções e eficiência quandose trata de energia solar. 

Em um país que possui menos da metade da insolação do Brasil, uma em cada dez pessoas já usam a energia 
solar fotovoltaica para gerar eletricidade ou calor e a cada ano esse número de adeptos aumenta. Imagem à direita.
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Vantagens das energias alternativas solar e eólica

A grande vantagem da energia solar e eólica está relacionada ao benefício ambiental. Abaixo, podemos destacar os seguintes critérios:

São renováveis, abundantes e inesgotáveis: as energias produzidas pelo calor do sol somadas à força e à constância dos ventos podem ser consideradas inesgotáveis. O Brasil, pelo vasto território, é privilegiado com essas duas possibilidades de forças motrizes: o sol intenso durante o dia e o vento que, em algumas regiões, sopra ininterruptamente.

Ainda é gratuita: as formas de produção de energias do sol e do vento não têm custos mensais, são recursos naturais, abundantes, inesgotáveis e à disposição de todos.

Ocupam poucos espaços: ao contrário das hidrelétricas, a produção de energia solar e eólica não demanda a ocupação de grandes áreas, com processos de desocupação de regiões naturais e de suas culturas que afetam, principalmente, os povos indígenas.

Não emitem poluentes: diferentemente de outras fontes produtoras de energia, como exemplo as usinas termoelétricas e por combustão, a produção solar e eólica não emite poluentes na atmosfera.

Baixa necessidade de manutenção: embora ainda seja uma tecnologia cara, os aerogeradores, os painéis e as placas utilizadas na produção de energias alternativas são resistentes e praticamente não têm custos de manutenção. Algumas fábricas de painéis solares oferecem garantia de 10 anos contra defeitos de fabricação e de 20 anos para geração.

Acessível em lugares remotos: por não depender de investimentos em linhas de transmissão, as miniusinas solares e eólicas conseguem beneficiar cidadãos e comunidades mais afastadas dos grandes centros urbanos e até em condição de total isolamento.
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Sistema ligado às concessionárias – tiegrid:* um sistema híbrido de geração de energias alternativas pode ser conectado à rede elétrica de uma concessionária. Esse sistema gera o suficiente para o consumo imediato e pode devolver o excedente para abater na conta mensal ou até vender, caso tenha alta produtividade.

Sistema desligado de concessionárias – offgrid: um sistema híbrido de geração de energias alternativas é totalmente independente de concessionária e gera energia suficiente para consumo imediato, com possibilidades de armazenar o excedente em baterias para usar em outro momento, à noite, por exemplo. Tiegrid ou offgrid: clique e leia mais sobre o assunto.

Não tem apagão: se o sistema for offgrid não existe o risco de apagão, desde que tenha manutenção preventiva (limpeza das placas e conectores das baterias); exceto em casos de queda de raios ou de intempéries às quais qualquer projeto está sujeito.

Em sistemas offgrid, a ONG Verde sugere, se for possível, o uso de luzes de LED e de aparelhos eletroeletrônicos com fontes externas, que não necessitam de conversão para 110/220VCA. Dessa forma, a eficiência energética é maior, com menor consumo elétrico e sem perdas de potência para conversão. Clique aqui e leia matéria sobre assunto para melhor entendimento.
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Desvantagens das energias solar e eólica

Independentemente do sistema de produção de energia, existem as desvantagens de ambos os lados. No caso da solar e eólica podemos citar:

Custo elevado: a tecnologia para produção de energia solar e eólica tem avançado bastante, mas ainda é muito cara no Brasil. Entretanto, as placas fotovoltaicas e os aerogeradores têm diminuído consideravelmente os valores e há casos em que o Governo custeia ou financia os equipamentos para uso doméstico. Mas, a tendência é de que esses equipamentos e acessórios fiquem cada vez mais acessíveis e evoluídos nos próximos anos. Sem incentivo para para importar, o valor do dólar (R$4,00 - 02/16) inviabiliza esses equipamentos para o cidadão comum.

Dependência climática: as variações climáticas podem interferir diretamente e de forma pontual sobre a produção de eletricidade. Nas usinas solares, por exemplo, a produção interrompe-se quando o sol fica encoberto ou quando é noite, mas as horas sem sol podem ser compensadas com o uso do aerogerador.

Baixa capacidade de armazenamento: as energias alternativas produzidas pelo sol e pelo vento podem ser usadas imediatamente ou armazenadas em baterias especiais, que estão a cada dia com maior capacidade de cargas e com vida útil prevista, em alguns casos, para mais de 25 anos.

Baixo rendimento: os painéis e usinas solares com tecnologia fotoelétrica ou fotovoltaica e aerogeradores domésticos ainda apresentam baixo rendimento e alto custo para uso individual. Para exemplificar, de cada fotocélula é extraída menos de 20% da sua capacidade plena

Prejuízos ambientais: as usinas solares e eólicas podem não ser totalmente corretas ambientalmente quanto se imagina. São responsáveis por uma grande mortalidade de pássaros que, literalmente, chocam-se contra as pás dos aerogeradores ou se queimam em função do calor gerado nas grandes usinas solares que usam espelhos para concentrar calor, ferver água para mover turbinas. Bem diferente de sistemas domésticos, é bom frisar, que não usam espelhos, mas placas fotovoltaicas que convertem calor do sol diretamente em energia elétrica.
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Importante ressaltar que a ONG Verde é favorável à geração de energias a partir do calor do sol e da força dos ventos de forma doméstica, ou seja: em residências através da utilização de pequenas usinas hibridas específicas para cada consumo.

Pelos danos ambientais apresentados e monopolização de bens naturais, a ONG Verde é contrária à tendência de que esse tipo de energia grátis seja privatizada na forma de grandes usinas solares ou eólicas para ser vendida aos cidadãos.

Mas, há outras fontes humanas relacionadas à morte de aves. Estudo afirma que nos Estados Unidos as torres de comunicação, os edifícios, incluindo as janelas, e os gatos domésticos são responsáveis por matar bilhões de pássaros a cada ano.Confira dados sobre o tema
No Brasil não temos registros de mortes de aves por aerogerador doméstico ou pelas placas solares tradicionais. Há casos de choques com aeronaves, mas a maioria das mortes de pássaros e animais silvestres ainda são ocasionadas pela ação do homem ao avançar sobre matas ciliares, nascentes e queimadas em resquícios de florestas originais.

Diferentemente das miniusinas hibridas, as usinas solares térmicas que utilizam espaços de muitos quilômetros quadrados, como por exemplo, a Ivanpah Solar Electric, localizada na Califórnia, e a usina solar térmica recém inaugurada pelo Google, em parceria com outras três empresas no deserto de Mojave, também nos Estados Unidos, atrapalham pilotos (leia mais) e podem queimar pássaros em pleno voo. Leia mais.

Importante salientar que essas usinas térmicas usam milhares de espelhos voltados para o sol: a luz solar gerada é concentrada em dezenas de torres que são receptores cheios de água. Quando a intensa luz dos espelhos atinge esse receptor, a água aquece, ferve e cria vapor suficiente para rodar turbinas e gerar eletricidade. Na imagem à esquerda, exemplo de aerogerador doméstico de alta eficiência.

A ONG Verde entende que o uso doméstico de energias limpas (VCC – leia matéria) sem conversão para 110/220 VCA pode abrir mercado para novos produtos, novos acessórios e, consequentemente, a geração de milhares de empregos diretos e indiretos.

Matéria produzida pela ONG Verde - Faça contato para palestras sobre energias alternativas e meio ambiente 

Agende visitas à sede da ONG Verde via o e-mail verde@ongverde.org, Formulário de Contato ou telefone (31) 99219-1819 (TIM)
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* Tie Grid: a regulamentação no Brasil de Sistemas Geradores de Energia Elétrica Conectados à Rede

A Resolução Normativa N° 482 da ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) é o principal documento que regulamenta o funcionamento dos sistemas fotovoltaicos conectados à rede no Brasil. A Resolução N° 482 definiu as principais regras para o funcionamento da chamada micro e minigeração distribuida, modelo em que pequenos usuários podem produzir sua própria energia elétrica de forma integrada à rede de distribuição das concessionárias, como a Eletropaulo, CEMIG ou Light etc.   

A Resolução N° 482 da ANEEL definiu também o sistema de "compensação de energia". Esse sistema permite que o consumidor tenha abatido da fatura de energia elétrica o valor referente à quantidade de energia produzida pelo sistema fotovoltaico. Se o consumidor produzir mais do que consome durante um mês, por exemplo, as concessionárias fornecerão um crédito referente a energia produzida a mais. Os créditos sobre a energia que excedeu o consumo têm validade de 36 meses e poderão ser utilizados quando o consumo for maior que a geração de energia, como em épocas chuvosas ou meses de menor insolação.  

Na prática, muitos usuários residenciais se tornam fornecedores de energia para a rede durante o dia, quando não há ninguém em casa ou o consumo é muito baixo, e se tornam consumidores à noite, quando o consumo aumenta e não há geração. A conta dos usuários dos sistemas conectados à rede também é um pouco diferente. Além de informar a energia consumida, ela informa a energia produzida durante o mês. Clique Aqui para acessar a Resolução Normativa N° 482 na íntegra.